A-5: Abiogás comemora viabilização da primeira usina a biogás em certames

UTE Biogás Bonfim vai demandar investimentos de R$ 129,9 milhões

Não foram apenas as PCHs e térmicas a biomassa que conseguiram sair bem no retrato final do último leilão A-5. Após algumas tentativas em outros anos, foi viabilizado em certame o primeiro projeto de térmica movida a biogás, a UTE Biogás Bonfim, de 20,8 MW. O preço alcançado foi de R$ 251/MWh para a usina que fica localizada no estado de São Paulo e vai demandar R$ 129,9 milhões em investimentos, segundo as estimativas divulgadas pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica.

No dia 2 de dezembro do ano passado, a Agência Nacional de Energia Elétrica registrou o recebimento do requerimento da outorga da usina, em nome da Raízen Energia. Contatada pela Agência CanalEnergia desde a realização do leilão, a assessoria de imprensa da Raízen não confirmou até o fechamento da matéria se ela era realmente a dona da usina. De acordo com o conselheiro da Associação Brasileira de Biogás e Biometano Gabriel Kropsch, a vitória mostra que o uso do Biogás para geração de energia – um dos seus múltiplos usos – começa a ser notado, disputando de modo competitivo com outras fontes. "A vitória veio para demonstrar que o biogás pode ser usado em escala e não somente em pequenos projetos isolados. Agora ele faz parte da matriz energética do país", afirma.

Classificando a comercialização da UTE Biogás Bonfim como um exemplo para outros projetos daqui para a frente, Kropsch lembra que a fonte é um insumo nacional, ao contrário do GNL, um tipo de gás que é importado. Dados da Abiogás mostram que o setor sucroenergético tem um potencial de 83,3 mil GWh/ano, o setor de alimentos de 21,8 mil GWh/ ano e o de saneamento, com 10,3 mil GWh/ano. Com 20,8 MW a térmica não é considerada um projeto pequeno, embora existam muitos projetos de biogás que estejam sendo conduzidos por pequenos produtores. A diversidade de origem da fonte faz com que cada região do país tenha seus potenciais. Por exemplo, os grandes centros ficariam com o biogás vindo de aterros sanitários, efluente doméstico e fermentação de Resíduos Sólidos Urbanos. Já regiões agrícolas poderiam extrair o biogás de dejetos de bovino de leite, suínos, aves, abatedouros e laticínios, sem contar com o sucroenergético.

Ele espera que a vitória da UTE Biogás Bonfim impulsione a viabilização de mais usinas. Projetos de associados trazem o uso do biogás em conjunto com o do biometano, que é conhecido como gás natural renovável. Essa aliança traz uma rentabilidade maior para os projetos. "Temos vários projetos em andamento, que ficam com duas aplicações complementares", avisa. Apesar do primeiro uso do insumo sempre ser remetido para combustível, ele também acredita que esse uso não vai se sobrepor ao uso para geração e que as condições de preços variam tanto para combustíveis quanto para energia. "Os preços variam ao longo do tempo, vai depender das condições do projeto", observa.