Lucro da Eletrobras recua 37% no trimestre e fica em R$ 550 milhões

Contabilização da remuneração do RBSE influenciou negativamente os indicadores trimestral e anual de 2017

A Eletrobras apresentou lucro líquido de R$ 550 milhões no terceiro trimestre de 2017, um resultado 37% abaixo do reportado no mesmo período do ano passado. Já o resultado acumulado em 2017 é de lucro líquido de R$ 2,27 bilhões, queda de 77% quando comparado aos ganhos de R$ 9,77 bilhões entre janeiro e setembro de 2016. As quedas trimestral e anual foram explicadas como resultado da contabilização da remuneração da RBSE.
Para efeitos de comparação, a empresa apontou que o lucro líquido gerencial que – englobando os ajustes feitos pela empresa para eliminar efeitos não-recorrentes na base de julho a setembro – somou R$ 449 milhões, 267% maior que o mesmo período de 2016, impactado positivamente por reversões de contratos onerosos e impairments, devido principalmente ao lançamento e adesões plano de aposentadoria extraordinária. O lucro líquido gerencial obtido nos nove meses do ano foi de R$ 406 milhões, 161% superior ao prejuízo de R$ 663 milhões reportados um ano atrás.
O resultado ebitda (antes de juros, impostos, depreciação e amortização) no trimestre foi de R$ 2,85 bilhões, queda de 12% ante os R$ 3,24 bilhões do mesmo período do ano passado. Já esse mesmo indicador, mas na modalidade gerencial, aumentou nas duas bases de comparação: no trimestre somou R$ 1,39 bilhão – aumento 71% – e nos nove meses do ano para R$ 4,72 bilhões, crescimento de 65%.
A receita operacional líquida foi de R$ 8,89 bilhões, aumento de 4% em relação ao terceiro trimestre de 2016. Já na base anual essa linha do balanço da companhia apresentou retração de 44%, alcançando R$ 26,84 bilhões. Na base sem os ajustes e efeitos não-recorrentes houve um aumento de 16% no trimestre e de 13% no ano. Essa linha exclui Celg-D e Receita de Construção e Receita de Transmissão com RBSE, referente a linhas de transmissão renovadas pela Lei 12.783/2013.
No segmento de geração, o volume de energia vendida no trimestre caiu 3%, para 39,7 GWh. No ano esse volume soma 114,7 GWh, retração de 5% ante o acumulado até setembro de 2016. Nesse montante não são consideradas as quotas da 12.783/2013. Já em distribuição, a energia vendida no trimestre chegou a 4,1 GWh, queda de 7%. No ano está 8% menor, acumula 12 GWh distribuídos.
Por área de atuação, é na geração que a empresa obteve a maior parte de receita bruta, com R$ 15,37 bilhões, quase metade do total, que no ano é de R$ 32,65 bilhões. Em transmissão o valor recuou justamente pela contabilização do RBSE no ano passado, passando de R$ 31 bilhões para 7,8 bilhões. Em distribuição a receita ficou em R$ 8,16 bilhões e outras receitas com R$ 1,3 bilhão. Na base trimestral essa proporção é a mesma.
O total de investimentos da companhia no ano soma R$ 3,764 bilhões até setembro, desse montante R$ 1,305 bilhão somente no período de julho a setembro. A empresa apontou como um dos seus maiores destaques a redução do indicador Dívida Líquida sobre ebtida ajustado, que passou de 8,7 vezes ao final do terceiro trimestre de 2016 para encerrar o de 2017 a 4,1 vezes, se aproximando da meta de 4 vezes para o indicador no Plano Diretor de Negócios e Gestão 2017-2021 da companhia.