CMSE: risco de déficit de energia é reduzido no Sudeste

Consumo de energia voltou a crescer em 2017, retornando a patamares de 2014

O risco de qualquer déficit de energia em 2018 é igual a 0,2% e 0,0% para os subsistemas Sudeste/Centro-Oeste e Nordeste, respectivamente, considerando a configuração do sistema do PMO de março de 2018. No PMO de fevereiro, risco de déficit era igual a 0,3% e 0,1%, respectivamente. As informações são do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), que esteve reunido em Brasília nesta quarta-feira, 7.

Em termos de Energia Natural Afluente (ENA) bruta, foram verificados no mês de fevereiro os valores de 83% no Sudeste/Centro-Oeste, 86% no Sul, 44% no Nordeste e 107% no Norte. A Energia Armazenada (EAR) verificada ao final de fevereiro foi de 37%, 73,5%, 26,3% e 62,1% nos reservatórios equivalentes dos subsistemas Sudeste/Centro-Oeste, Sul, Nordeste e Norte, respectivamente. Os valores esperados de armazenamentos equivalentes ao final do mês de março de 2018 são: 44,6% no Sudeste/Centro-Oeste, 64,1% no Sul, 36,9% no Nordeste e 66,5% no Norte.

O CMSE destacou, em nota, que está garantido o suprimento eletroenergético do Sistema Interligado Nacional (SIN), despachando o parque térmico conforme ordem de mérito de custo, e que permanecerá acompanhando atentamente a evolução das condições de atendimento ao longo da estação chuvosa de 2018.

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) informou que permanece a política operativa hidráulica de defluências mínimas na cascata do rio São Francisco, com vistas à preservação dos estoques armazenados. Como resultado das ações desenvolvidas no âmbito do Grupo de Acompanhamento da Operação dos Reservatórios do Rio São Francisco, coordenado pela Agência Natural de Águas (ANA), será possível manter todas as usinas hidrelétricas acima de seus armazenamentos mínimos operacionais até o final do período úmido em abril de 2018. A expectativa de armazenamento ao final do mês de março de 2018 é de 38,9% na UHE Três Marias e de 48,3% na UHE Sobradinho, o que indica nível de armazenamento melhor que no ano 2017.

DEMANDA

A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) apresentou os resultados da consolidação do mercado de energia elétrica brasileiro do ano 2017 e as perspectivas para o horizonte de 2018 a 2022. Foi destacado que o consumo total de energia elétrica no Brasil voltou a crescer em 2017, depois de dois anos de queda, atingindo crescimento anual de 0,8% mas ainda assim o consumo de 2017 é comparável ao de 2014.

Especificamente em relação ao setor industrial, este teve crescimento de 1,1% em 2017, quando comparado ao ano anterior. As perspectivas para os próximos anos apontam crescimento médio anual de 3,9% do consumo de energia de 2018 a 2022. Sobre o balanço comparativo entre oferta e demanda no horizonte 2019 a 2022, a EPE apresentou o balanço estrutural de oferta e demanda do sistema considerando análise de sensibilidade nas variáveis chave, incluindo restrição hidrológica na vazão da região Nordeste e foi mostrada a existência de um excesso de oferta para os próximos anos, mas apontada que a expansão da oferta continuará sendo necessária, principalmente a partir de 2022, e viabilizada com a realização dos leilões de energia nova.

Expansão

A Secretaria de Energia Elétrica do Ministério de Minas e Energia (SEE/MME) relatou que, em fevereiro de 2018, entraram em operação comercial 745,2 MW de capacidade instalada de geração, 830 km de linhas de transmissão e conexões de usinas na Rede Básica e 1.929 MVA de transformação na Rede Básica.

Assim, a expansão do sistema no ano 2018, até o mês de fevereiro, totalizou 996,8 MW de capacidade instalada de geração, 830 km de linhas de transmissão de Rede Básica e conexões de usinas e 3.321 MVA de transformação na Rede Básica.