Ibama suspende testes de máquinas de Belo Monte até solução para mortandade de peixes

Decisão não impede operação normal das oito unidades geradoras da usina que estão em operação comercial

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis determinou à Norte Energia a suspensão do comissionamento e de manobras de parada e partida das unidades geradoras em operação na UHE Belo Monte (PA, 11.233 MW), para evitar a mortandade de peixes durante os testes das máquinas. A notificação foi  feita pelo Ibama na sexta passada, 9 de março.

A suspensão deve durar até que um novo plano da empresa para a redução de impactos à fauna aquática seja apresentado e aprovado pela Diretoria de Licenciamento Ambiental do órgão. Além de impedir o comissionamento da nona turbina, que vai ser  testada para entrar em operação; foram suspensos os testes nas oito máquinas que já operam comercialmente. Em janeiro desse ano, durante o comissionamento da oitava unidade, morreu cerca de uma tonelada de peixes, que foram atraídos pela correnteza formada com rotação da turbina.

Em nota à imprensa, a Norte Energia informou que para atender a determinação do Ibama tem  instalado  barreiras “e outras soluções tecnológicas” para permitir  que os cardumes de peixes consigam escapar da área próxima ao tubo de sucção das unidades geradoras instaladas na casa de força principal da usina. Dados técnicos sobre a eficiência  dessas soluções teriam sido enviados ao órgão ambiental no último dia  9 , e atualizados na segunda-feira, 12.

A decisão do Ibama,  segundo a empresa, não significa a  paralisação da operação de Belo Monte, e sim a suspensão de procedimentos de  paradas e partidas das máquinas. “A Norte Energia ressalta ainda que desde o início das operações da UHE Belo Monte mantém equipes dedicadas ao resgate de peixes, que atuam no acompanhamento das turbinas e nas manobras de comportas de forma permanente”, disse a nota, acrescentando que projetos de conservação da ictiofauna do entorno da hidrelétrica e medidas de mitigação e compensação de impactos tem sido aplicados na região do rio Xingu.