Fitch mantem observação negativa em rating ‘AA+(bra)’ da AES Tietê

Avaliação vem de proposta de união de ativos da empresa

A agência de classificação de risco Fitch Ratings manteve em observação negativa o Rating Nacional de Longo Prazo ‘AA+(bra)’ da AES Tietê Energia S.A. e de sua nona emissão de debêntures quirografárias, no montante de R$ 2,2 bilhões. De acordo com a agência, a observação negativa vem da proposta de combinação de negócios enviada pela Eneva à AES Tietê, em que a primeira quer comprar as ações da segunda através da entrega de ações ordinárias por ela emitidas aos acionistas da Tietê, que passariam a ter 22,58% do capital social da Eneva.

Para a Fitch, caso a fusão seja feita dessa forma, a alavancagem financeira consolidada das empresas para uma faixa de quatro a cinco vezes nos próximos dois anos, o que não é condizente com o rating atual da AES Tietê. Segundo a Fitch, pelo cenário montado, que pode acarretar o rebaixamento da nota da emissora em um grau, a Eneva vi usar uma combinação de caixa existente e nova dívida a ser emitida para pagar os acionistas da Tietê. Caso o valor gasto no final fique acima do inicialmente proposto, a Fitch avaliará se este montante pressionará ainda mais o rating da AES Tietê.

Embora a agência reconheça que a proposta fortalece a base dos negócios do novo grupo em relação aos perfis individuais de ambas as empresas, ela entende que a melhor é insuficiente para neutralizar o efeito da deterioração do perfil financeiro consolidado a curto prazo.

Caso a negociação com a Eneva não se concretize, a observação negativa dos ratings será retirada. Com um eventual fracasso na negociação, fatores como o fortalecimento da base de ativos, o índice dívida líquida/ebitda igual ou abaixo de 2,5 vezes e a melhora da posição de liquidez após o pagamento da obrigação junto à CCEE podem levar a uma melhor na nota da AES Tietê. Por outro lado, a união das empresas pode rebaixar o rating da AES Tietê,  assim como a deterioração do perfil de liquidez da companhia e  investimentos relevantes, aquisições ou desempenho operacional fora do cenário-base que resultem em alavancagem líquida consistentemente acima de 3,5 vezes.