Alupar avança com mil km em LTs e parques eólicos para o mercado livre

Executivos da companhia apresentaram modelo de gestão e estágio dos projetos de transmissão afetados pela pandemia e por questões ambientais e políticas, além do complexo eólico Agreste Potiguar (214 MW)

Com foco na modalidade greenfield e executando um modelo próprio de gestão para lidar com os riscos e desafios adicionais impostos pela pandemia, a Alupar Investimento tem centrado seus esforços para avançar com a implementação de 1.094 quilômetros em linhas de transmissão pelo país, além de uma subestação e ampliação de outras sete, fora a estratégia de operar no mercado eólico de médio prazo, afirmou o presidente da companhia, Paulo Godoy nessa terça-feira, 8 de dezembro, durante teleconferência com acionistas.

“Nosso business intelligence faz com que hoje os fiscais em campo consigam trabalhar com tablets, identificando o estágio de implantação de cada torre e subestação e enviando as informações para um sistema de gerenciamento em que conseguimos acompanhar de forma online o andamento dos projetos”, comentou o executivo para embasar sua apresentação.

Em 2020 foram quase R$ 4 bilhões aplicados em 1.331 quilômetros de LTs e construção de cinco subestações próprias, além de sete ampliações. Godoy destacou a performance média de CAPEX 16% menor do valor estipulado pela Aneel para todos os projetos e disse que o momento exige manter o equilíbrio entre prazo de execução e a redução no valor do investimento.

Quanto as obras em andamento, informou que as concessões ESTE, TSM e TCC estão com 26%, 47% e 76% de avanço físico dos trabalhos, atribuindo a expectativa de avanço à sequência dos eventos relacionados a Covid-19 no Brasil. Na concessão colombiana TCE, a empresa aguarda a licença de instalação por uma configuração exclusiva do país, que paralisou todas obras de infraestrutura durante a pandemia, que persiste no país.

“TCC foi nosso projeto com maior interferência da pandemia pois é localizado em municípios pequenos com contingente de trabalhadores muito grande, o que impõe dificuldades em administrar os canteiros de obras com a questão do contágio e dos decretos municipais”, salienta.

Embargos – Além dos impactos provocados pela pandemia, a Alupar trabalha para resolver a situação de projetos paralisados por questões ambientais e políticas, afirmando ter boa perspectiva de avançar na TNE, linha de 700 quilômetros que irá conectar o sistema isolado da capital de Roraima Boa Vista a Manaus, num projeto tido como prioritário para a região, que deixou de receber energia da Venezuela desde março do ano passado.

“Nesse caso o impacto ambiental é pequeno mas há o componente político indígena muito forte, onde 200 km passam por grupos da comunidade Waimiri Atroari. Estamos há dez anos negociando, pois o custo para o sistema de não ter essa linha é altíssimo para uma região que está se abastecendo de térmica caras”, avalia o diretor de Relações com Investidores, José Luis Godoy.

Outro ativo em discussão são duas linhas no litoral paulista licitadas em 2014 e que compõe a ELTE, cuja dificuldade ambiental reside no pedido de reserva indígena e outro imbróglio com o CONAER da base área de Santos, em parte já resolvido, devido a uma mudança na regra do aeroporto, o que permite a retomada da obra. No entanto a companhia terá que recomeçar todo processo de licenciamento devido ao arquivamento do antigo pela Cesteb. “Estamos negociando também com a Aneel o reequilíbrio e divisão da receita”, complementa o executivo.

Eólica no ACL – Já no mercado livre reside uma das oportunidades vislumbradas pela empresa, que deseja operar nesse ambiente através de contratos de compra e venda de energia a médio prazo. A ideia é ver a curva de preço cair com menos players para comprar, ainda que projetos de cinco anos sejam mais difíceis de serem comercializados para a indústria e o comércio, o que gera insegurança no comprador, que não sabe o quanto irá consumir nesse tempo.

“Há sim uma certa dificuldade nesse prazo, mas o preço cai e há poucas pessoas oferecendo esse produto, pois a maioria das empresas precisa de garantias corporativas para os projetos, o que facilita no nosso caso”, disse o presidente Paulo Godoy.

Formado por sete parques com 51 aerogeradores, o complexo eólico Agreste Potiguar, o primeiro e único da companhia, já estreou duas plantas somando 63 MW e prevê chegar a 214,2 MW de capacidade instalada até o começo de 2023, com toda energia produzida sendo direcionada para o mercado livre.

Sobre o próximo leilão de transmissão, marcado para 17 de dezembro, Godoy disse que certames sempre trazem algum tipo de surpresa, nesse caso um bom número de lotes de linhas subterrâneas, o que pode se tornar uma condição mais frequente daqui pra frente, sobretudo na região de São Paulo e Porto Alegre.

“O que esperamos é que a Aneel busque obter qualidade e sucesso nos leilões, não apenas pela contratação mas quando os empreendimentos entrarem em operação”, comenta, informando que a Alupar também tem participado de todos os certames de transmissão na Colômbia, Peru e Chile, mas que não está no seu radar expandir essa atuação para outras regiões.

Perguntado sobre o lugar da empresa em termos de consolidação de mercado e expansão na área de geração, o executivo citou players como Taesa, Cteep, State grid, Eletrobras e Equatorial como pares relevantes no segmento de transmissão, mas pontuou que o ambiente para as geradoras é pulverizado.

“Há um espaço para consolidação, inclusive adquirimos duas participações, mas não é um espaço tão grande para expansão, o que irá depender muito da privatização da Eletrobras, se é que será feita”, finaliza.