Petrobras está condenada se ficar em óleo e gás, afirma deputado

Alessando Molon defende que a petrolífera volte a investir em fontes renováveis para não perder relevância global ante o caminho de descarbonização que o mundo exige

O deputado federal Alessandro Molon (PSB-RJ) e líder da oposição na Câmara dos Deputados cobrou do governo federal uma mudança de postura da Petrobras. O parlamentar afirmou que a estatal do petróleo tende a se apequenar com a visão atual de ser uma empresa apenas de óleo e gás diante das perspectivas de descarbonização que diversos países e empresas do mesmo ramo de atuação vêm adotando nos últimos anos.

“O que a Petrobras deveria fazer é entender-se como empresa de energia e não apenas de petróleo e gás”, afirmou o deputado em evento online sobre transição energética promovido pelo Instituto E+. “O mundo caminha nessa direção, então deveria aplicar mais recursos em eólica, solar e outras formas de geração de energia, preparar-se para o futuro. Dessa forma está se condenando ao desaparecimento uma vez que o mundo mostra que quer superar essa fase de combustíveis fósseis”, acrescentou.

Em sua opinião, o atual posicionamento da petrolífera é equivocado e está condenado ao fracasso, citando ainda uma declaração do presidente da estatal, Roberto Castello Branco, que já avaliou os investimentos em fontes renováveis como uma moda passageira e que irá terminar.

Molon é o autor de um projeto de lei que é chamado de Emergência Climática, cujo principal objetivo é o de adotar um compromisso no país para a descarbonização da economia até 2050. Segundo ele, essa ação estaria centrada no combate ao desmatamento que, atualmente, é o maior emissor de gases de efeito estufa no país.

O setor de geração de energia no país, reconhece ele, já tem uma importante contribuição. Nesse campo a maior parcela de ajuda estaria no estabelecimento de metas de eficiência energética, de 10% até o final desta década. Ao mesmo passo, cita ainda a necessidade de incentivar a adoção da geração distribuída ao mesmo tempo que amplia o uso de sistemas de armazenamento de energia. Outra proposta está na criação de um mercado de carbono para o país que pudesse se conectar a outros dessa mesma natureza no mundo.

Molon comemorou o fato de que nesta terça-feira, 19 de janeiro, será o último dia do governo Trump nos Estados Unidos e que a partir de amanhã assume Joe Biden, que apresenta entre outras metas, o retorno daquele país ao Acordo de Paris e um plano de investimento de US$ 400 bilhões em energia renovável nos próximos 10 anos.