Pressão recua e ação da Eletrobras cai 0,69%

Apesar da turbulência no início do dia, as ações da estatal recuperaram o valor ao longo do dia e fecharam com a menor desvalorização do dia no Índice de Energia Elétrica da B3

O Índice de Energia Elétrica na B3 encerrou esta segunda-feira, 22 de fevereiro, em queda de 3,48% ante o fechamento do último pregão aos 76.214 pontos. O dia começou com uma forte pressão por parte dos investidores que repercutiram as declarações do presidente da República que afirmou no final de semana que a energia elétrica seria outra a sofrer interferência do governo. Contudo, ao longo do dia a queda inicial foi revertida.

Dentre os ativos que compõem a carteira do IEE, foi justamente o papel da Eletrobras (ELET3) que apresentou a menor baixa do dia, de 0,69%, cotada a R$ 28,91. No início do dia o ativo, por ser de uma empresa controlada pelo governo federal,  a incerteza reverberou nos papeis da elétrica que chegaram a ter a maior baixa, na casa de 7%. Mas esse movimento reverteu e ao final da tarde estava na posição de menor perda da carteira desse índice, composto por 18 empresas com quedas em todas. As maiores perdas ficaram com a CPFE3, da CPFL com queda de 6,99%, CESP6, da Cesp com 5,57% e a LIGT3 da Light com desvalorização de 5,34%.

Esse nível do IEE não chega nem perto da queda que os indicadores passaram quase um ano atrás com a desvalorização recorde do petróleo associada ao início da pandemia de covid-19. Naquela época o índice despencou de cerca de 80 mil pontos para pouco mais de 50 mil pontos em 20 dias no mês de março. Em meados de janeiro deste ano esse nível já havia sido recuperado.

O principal índice de ações do país o Ibovespa encerrou o pregão em queda de 4,87%, a 112.667 pontos. Por razões óbvias foram as ações da Petrobras preferenciais e ordinárias com a maior queda, de 21,51% e de 20,48%, respectivamente, refletindo as declarações da última sexta-feira, 19, acerca das interferências na gestão da empresa.

De acordo com avaliação da agência de classificação S&P, o cenário-base com o qual trabalha considera que a empresa continuaria seguindo sua política de preços de paridade de importação, estabelecida em 2016. Por isso acredita que o anúncio da mudança não tem impacto de crédito imediato sobre a petroleira.

“Ainda assim, mencionamos anteriormente que não havia um longo histórico dessa política sob diferentes administrações, e nossos ratings da empresa continuaram a incorporar os riscos de influência potencial do governo sobre o preço do combustível, o que pode prejudicar a rentabilidade e o fluxo de caixa da empresa. Mesmo se houver uma mudança na direção e na estratégia de preços da Petrobras, nossos ratings da empresa continuariam a refletir o rating soberano, uma vez que o governo federal detém seu controle”, afirmou.

Por sua vez, outra agência, a Moody’s avalia que o anúncio é negativo para o crédito da Petrobras por ter sido originado com base nos aumentos de preços que a companhia vem aplicando. “Evidencia a contínua interferência política nas decisões de negócios da Petrobras, por muitos anos. O petróleo bruto, que é uma matéria-prima primária para a produção de combustível, teve aumento de preço de cerca de 35% até agora em 2021 devido ao aumento da demanda e ao atraso na oferta, especialmente nos EUA”, destacou.

A agência lembrou da greve dos caminhoneiros de 2018 que também levou a mudança no CEO da Petrobras. E que esse evento “irá desencadear mudanças no conselho de administração e na alta administração da empresa, o que prejudicará o trabalho executivo”. E ainda, “acreditamos que o processo de venda das refinarias será atrasado, mas não completamente interrompido devido à natureza de longo prazo das aquisições e porque o risco de interferência do governo nos preços dos combustíveis no Brasil manteve-se inalterado. Contudo, é importante que a Petrobras melhore suas métricas de crédito, uma vez que seu negócio é vulnerável a os preços das commodities e a empresa enfrenta um risco crescente de transição de carbono”, finalizou.