Sensoriamento remoto reduz custos no setor elétrico

Aplicações da Certi a partir de dados de satélites podem o medir o nível dos reservatórios e prever redução de chuvas, além da qualidade da água e monitoramento ambiental das empresas de geração e saneamento

Com objetivo de reduzir custos e planejar melhor as operações de geração e distribuição de energia elétrica no Brasil, as aplicações tecnológicas de sensoriamento remoto por meio de informações de satélites e nano satélites têm sido cada vez mais procuradas por diversas empresas do setor elétrico.

O sistema utiliza técnicas de armazenamento e computação na nuvem com uma interface web para visualização e consulta dos dados gerados aos clientes. Atualmente a Fundação Certi, de Santa Catarina, está trabalhando no desenvolvimento de dois projetos, um de monitoramento ambiental, incluindo a medição da qualidade da água de reservatório de usinas, e o outro de controle da vegetação para evitar danos nas redes e em linhas de distribuição e quedas de fornecimento aos consumidores finais.

A mesma tecnologia também pode monitorar o nível hídrico dos reservatórios e de precipitação. As informações são de fontes públicas, sem custo de contratação, o que reduz os gastos das empresas nesta área. Neste caso específico, este tipo de mediação ainda precisa ser regulamentada pelas agências reguladoras como a Aneel e Agência Nacional de Águas (ANA). Desta maneira, a tendência é que possam ser usadas como alternativas para as medições físicas, mesmo sem eliminar totalmente este tipo de controle pelas estruturas montadas pelas empresas.

Com a solução, as empresas poderão saber com antecedência e precisão quando seus reservatórios vão sofrer os impactos da falta de chuvas gerando redução na capacidade de geração, além do cumprimento da legislação de envio destas informações para os órgãos reguladores do setor. A ANA já atua nesta direção e reúne dados dos recursos hídricos por meio do portal HidroSat, que contém diversas estações de monitoramento por satélite.

Qualidade d’água e setor de saneamento

No sensoriamento remoto da qualidade da água, o projeto é uma parceria da Certi com as empresas Foz do Chapecó Energia e a Energética Barra Grande (Baesa). “Apesar da coleta de dados em campo ser a prática mais comum entre as empresas e empreendimentos, este tipo de abordagem consome grande quantidade de recursos humanos e financeiros, além de apresentar limitações”, explica o coordenador do projeto na Certi, Marcelo Pedroso Curtarelli.

O engenheiro sanitarista e ambiental destaca que a mesma aplicação de controle de qualidade d’água por sensoriamento remoto também pode ser aplicada por empresas públicas e privadas na área de saneamento.

O sistema reduz as três dificuldades de busca de dados e que são superados com a tecnologia por dados de satélite: baixa representatividade espacial e temporal na maioria dos casos; coleta de dados de maneira intrusiva, havendo interação com o ambiente monitorado; e dificuldade de acesso, como na região amazônica, o que pode impossibilitar a coleta de dados em locais de interesse.

Por meio do Programa de P&D da Aneel, a Fundação propôs o desenvolvimento de um sistema para as duas companhias em agosto de 2019, tendo previsão de 33 meses de desenvolvimento. As funcionalidades permitirão avaliar não só séries históricas de um conjunto de parâmetros de interesse, como também a conformidade da qualidade da água com relação à legislação ambiental e a adequação para os outros usos previstos no Plano de Uso do Reservatório (PUR).

Segundo a instituição, o projeto está em estado avançado de desenvolvimento, sendo toda sua arquitetura definida e validada, módulo de aquisição de imagens e workflow de pré-processamento de imagens estabelecido e implementado. A prova de conceito inicial de componentes está rodando na nuvem e a finalização da interface também está adiantada, sendo que todas as telas e funcionalidades de visualização e consulta definidas estão validadas.

Controle de vegetação por nano satélites

Na aplicação de monitoramento de vegetação, a solução envolve o P&D da Copel “Classificação automática de imagens para o manejo da vegetação sob redes elétricas”, que usa uma tecnologia nova e emergente no mercado de coleta de dados por meio de nano satélites.

Os custos, segundo o engenheiro da Certi, também são menores do que a contratação de Veículos Aéreos Não Tripulados (VANTs) para o mesmo tipo de busca de informações. Além disso, este tipo de equipamento enfrenta a burocracia para conseguir permissão de voos e em algumas áreas ainda não podem operar, ao contrário dos nano satélites que estão com seus serviços em alta no mercado de sensoriamento remoto.

Neste caso, a estatal paranaense, por meio da sua divisão de manutenção de redes e linhas, precisa manter o controle de qualidade na entrega para os consumidores, mas acaba sofrendo com o impacto de desligamentos quando árvores entram em contato com as redes e linhas de distribuição, principalmente durante temporais e chuvas mais fortes, como no ano passado.

Este é um problema para demais distribuidoras que precisam contratar equipes de monitoramento nestes locais, além de pessoal para fazer a poda das árvores e da vegetação. A ferramenta agrega inteligência para que estes serviços sejam realizados tanto em áreas rurais como urbanas, com intercâmbio de dados com os pontos de distribuição para prever podas antecipadas e evitar cortes de energia, tendo conclusão prevista para abril de 2022.