Fiesp critica retirada de ampliação do mercado livre em MP da Eletrobras

Decisão foi classificada como duro golpe na liberdade de escolha do consumidor. Para Abegás, contratação de UTEs é passo importante para integração entre setores elétrico e de gás

Em comunicado à imprensa, a Federação das Indústrias de São Paulo criticou o relatório do deputado Elmar Nascimento (DEM-BA)da MP da Eletrobras. O relatório foi considerado pela Fiesp como um duro golpe contra a liberdade de escolha para os consumidores de energia. Com a rejeição da emenda aprovada pelo Senado que previa a ampliação do mercado livre para todos os brasileiros até 2026, a federação classifica que o deputado será pessoalmente responsável por aumentar as tarifas de energia em R$ 300 bilhões ao longo dos próximos anos. O custo recairia sobre consumidores de energia residenciais e industriais com a manutenção da reserva de mercado para poucas distribuidoras.

O impacto resulta da alteração no valor da energia comercializada pela Eletrobras. Com essa medida, a energia hoje vendida a R$ 110/MWh poderá alcançar R$ 200/MWh, aumentando significativamente as tarifas ao longo dos próximos anos. Para a Fiesp, o deputado retirou o único dispositivo que teria algum efeito positivo para o país e preservou todos os “jabutis” do texto aprovado pelas Casas Legislativas, que contribuirão com a disparada das tarifas de energia. Segundo a Fiesp, restaurar a emenda aprovada pelo Senado é fundamental para reverter este prejuízo. Para a Federação, apenas com liberdade de escolha e competição por preço os consumidores colherão algum efeito positivo da capitalização da Eletrobras.

Também em comunicado à imprensa, a Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado definiu a contratação dos 6 GW de térmicas como um passo fundamental para acelerar a necessária integração entre o setor elétrico e o setor de gás. De acordo com a associação, a contratação de usinas térmicas com fator de capacidade mínimo de 70%, em diversos pontos do país equivale a uma medida com benefícios econômicos, sociais e ambientais. Dentre os benefícios, estariam a queda nas tarifas tanto no mercado regulado como no mercado livre, o uso da água que vá além da geração de energia sem prejuízo de outras atividades e a redução ou até eliminação do uso de térmicas movidas a diesel e óleo combustível.

Para a Abegás, a MP irá ainda permitir mais previsibilidade e segurança energética a todos os consumidores, facilitando novos investimentos produtivos, especialmente nas localidades onde serão construídas as novas infraestruturas.