ONS revisa nota sobre condições de atendimento no período seco

Situação continua delicada e cenário indica níveis baixos e sobras de potência reduzidas

O Operador Nacional do Sistema Elétrico revisou nota técnica de avaliação das condições de atendimento eletroenergético do Sistema Interligado Nacional de julho a novembro de 2021. A nota adotou dois cenários e neles não há risco de desabastecimento elétrico, já considerando o crescimento do PIB de 4,5% ao ano.

Na primeira simulação, o acionamento de térmicas é mais conservador, não considerando todas as unidades indisponíveis. Nesta hipótese, há flexibilização dos limites de transmissão, novos pedidos de flexibilização para as bacias de algumas UHEs e a maximização do despacho térmico fora da ordem de mérito. No segundo cenário, há mais participação de térmicas, considerando também a importação de energia e o despacho térmico fora da ordem de mérito. Também não haveria alterações nas flexibilizações já em vigor e não estão contempladas mudanças nos limites de transmissão definidos conforme procedimentos de rede.

De acordo com o ONS, embora o estudo indique que até o fim de 2021 a situação permanecerá sensível, o operador está acompanhando as ações já em curso e atuando para aumentar a oferta das fontes de energia e garantir que não haja a suspensão do suprimento elétrico. Segundo a nota, o aumento da carga em conjunto com a redução da disponibilidade
térmica resulta em uma degradação dos níveis de armazenamento ao final do período seco quando comparado com o estudo anterior, em especial dos subsistemas Sul e Nordeste.

A nota cita ainda que tanto no cenário com flexibilização de restrições operativas e de limites de transmissão quanto no associado a oferta adicional, os principais reservatórios da bacia do Rio Paraná chegam ao final do período seco com níveis baixos de armazenamento. Em outubro, as sobras de potência serão bastante reduzidas, com os recursos praticamente acabando em novembro.

Ao final da nota, o ONS recomenda flexibilização na UHE Ilha solteira abaixo da cota 325 metros, o que impactaria na UHE Três Irmãos. Outra recomendação foi fazer em conjunto com a ANA, estratégias de utilização dos reservatórios das UHEs das bacias do Rio Grande e do São Francisco, para garantir a segurança do atendimento do país.

Além disso, o ONS também recomendou adiar as manutenções programadas para 2021 e a operacionalização das medidas para aumento da disponibilidade energética, em especial as inseridas na portaria 13/2021 do Ministério de Minas e Energia, que autoriza a inclusão de custos fixos ao Custo Variável Unitário para geração de energia, de térmicas despacháveis centralizadamente, operacionalmente disponíveis, desde que não possuam contrato vigente.