EPE: consumo avança 5,7% em julho

Resenha Mensal mostra avanço de 9,8% na indústria e comércios e ligeira retração na demanda residencial por energia elétrica

O consumo de energia no Brasil cresceu 5,7% em julho deste ano em comparação ao mesmo período de 2020, chegando a 39.950 GWh, melhor marca para o mês em toda a série histórica compilada pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) desde 2004. Segundo o relatório mensal, indústria e comércio puxaram o resultado, ambas com altas de 9,8%.

Por sua vez a demanda acumulada em 12 meses totalizou 495.829 GWh, mostrando elevação de 5,2% em relação ao período anterior, com expansões de 7,7% no Sul, 6,9% no Nordeste, 5,4% no Norte, 5,1% no Sudeste e 2,5% na região Centro-Oeste.

No entanto, explica a EPE, a taxa mensal de expansão industrial desacelera pela atenuação do efeito base baixa de julho de 2020, mês que marcou o início da retomada do segmento após a forte queda no segundo trimestre com a pandemia. Com 11,1%, o Sul apresentou a maior alta no mês, seguido pelo Norte (10,6%), Sudeste (10,5%), Nordeste (8,4%) e Centro-Oeste (2,6%).

Entre as unidades da Federação, destaque para crescimento de 51,8% em Alagoas, alavancado pelo efeito base no setor químico, mas foi o estado de São Paulo que mais contribuiu para a expansão, subindo 13,7% e adicionando 509 GWh ao consumo da classe.

Considerando os dez setores mais eletrointensivos, todos aumentaram suas demandas, com Metalurgia liderando o ranking, impulsionada por siderurgia e alumínio primário no Sudeste e no Norte; seguida por produtos químicos, com destaque para resinas termoplásticas no Sudeste e cloro-soda e fertilizantes no Nordeste.

Em seguida aparece Produtos de minerais não-metálicos no Sudeste e Sul, puxado por reformas, autoconstrução e obras do setor imobiliário. No entanto os ramos têxtil e automotivo continuam apresentando as maiores taxas de expansão segundo a EPE, subindo 22,5% e 21,5%, respectivamente.

Quanto ao resultado da classe comercial, a evolução de 9,8% foi menor do que as registradas no segundo trimestre desse ano. O incremento no setor de serviços foi o que mais contribuiu, com 21,1% considerando a análise entre junho de 2020 e 2021 do IBGE. Já o volume de vendas do varejo cresceu 6,3% no mesmo período, puxado por tecido, vestuário e calçados.

Consumo residencial diminui

Por sua vez a demanda nas residências registrou retração no uso da energia elétrica, com Sudeste recuando 2,3% e puxando o desempenho em julho a partir de Rio de Janeiro e São Paulo, que variaram 3,6% em média, explicado em parte pela temperatura abaixo da média. Norte e Centro-Oeste tiveram quedas inferiores a 1%. Porém, se for considerado o ajuste das taxas pelo ciclo de faturamento das distribuidoras, o consumo teria crescido 0,5% e 0,9% nessas regiões, respectivamente.

Em contrapartida a região Sul apresentou aumento de 1,8%, com os estados da região sendo afetados por baixas temperaturas, o que fez aumentar o uso de equipamentos elétricos para aquecimento. Já o Nordeste teve a maior demanda, aumentando em 2,2%.

Embora atenuado, o efeito base baixa também alavancou a taxa de expansão do mercado livre, que cresceu 14,8% no mês enquanto o consumo cativo das distribuidoras evoluiu 0,4%. A contribuição do efeito base baixa foi anulada na taxa do mercado cativo, visto este abranger a totalidade do consumo residencial, classe de melhor desempenho em julho do ano passado.