Começa o Leilão A-5

Estão em disputa quatro produtos, mas a perspectiva é de baixa demanda em razão da sobrecontratação das distribuidoras

O 23º leilão de energia nova A-5 acabou de começar. No certame serão ofertados quatro produtos por quantidade para empreendimentos hidrelétricos, com prazo de suprimento de 30 anos, e três por disponibilidade. O primeiro é de suprimento por 25 anos e diferenciado por fontes com térmicas a carvão e biomassa; o segundo por geração térmica a gás natural em ciclo combinado e prazo de 20 anos; e o terceiro para empreendimentos eólicos e prazo de 20 anos. O início de suprimento se dará em janeiro de 2021.
O preço inicial para o produto quantidade foi estabelecido em R$ 227/MWh, já o produto disponibilidade para as térmicas a carvão e biomassa está em R$ 251/MWh, já os empreendimentos térmicos a gás natural começam a disputa com R$ 290/MWh e as eólicas com R$ 223/MWh.
Foram habilitados 802 projetos pela Empresa de Pesquisa Energética, sendo a maior parte de eólicas com 693 projetos. Há duas hidrelétricas, 52 PCHs, 40 térmicas a biomassa, nove termicas a gás natural, cinco a carvão e uma a biogás.
Contudo, agentes do mercado já vem falando sobre a perspectiva de baixa demanda no certame. Ainda ontem o grupo AES afirmou que não participará da disputa, não declarou demanda de suas distribuidoras e nem entrará com a AES Tietê Energia. Isso porque a preocupação das distribuidoras é com a sobrecontratação de energia pelas concessionárias, que atualmente está na média Brasil em 113% ante o limite de 105% para evitar penalidades junto ao órgão regulador.
Diante disso, a avaliação era a de que esse leilão levaria apenas à contratação da energia restante de Belo Monte, pois a baixa demanda projetada para os próximos anos abriria espaço apenas para essa parcela de 20% descontratada da mega usina em construção no Pará. Contudo, o preço de R$ 115,57/MWh foi considerado insuficiente pela Norte Energia que abdicou de entrar na disputa. O representante da Eletrobras no conselho da concessionária, José Aílton de Lima, afirmou que o valor teria que ser de R$ 185/MWh para que a empresa conseguisse a liberação de recursos do BNDES à soma de R$ 2 bilhões.