Braga admite adiamento da liquidação do MCP, se necessário

Ministro destacou que liminares são fruto de transição do modelo atual de risco para o modelo de repactuação proposto na MP 688

O ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, admitiu nesta  quinta feira, 1º de outubro, que a liquidação dos meses de julho e agosto no mercado de curto prazo pode ser adiada mais uma vez, caso seja necessário. O pagamento dessas operações está marcado para o próximo dia 15 na Câmara de Comercialização de Energia Elétrica, mas a existência de um grande número de liminares isentando parte dos geradores do pagamento do déficit hídrico pode resultar em alto índice de inadimplência de outros agentes que terão de dividir essa conta.

Questionado sobre a paralisação do mercado em razão do debate sobre a quem cabe assumir o risco, Braga destacou que as liminares são fruto da transição de um modelo que será substituído pela modelagem de repactuação proposta na Medida Provisória 688. "Eu tenho certeza de que a partir do momento que esta MP estiver aprovada e termos ampla adesão do setor para o novo modelo, todas essas liminares serão substituídas por um novo contrato”, afirmou.

“Todos vocês têm acompanhado que nós tivemos apenas dois adiamentos em todo esse período, durante todo este ano. E sempre no limite da responsabilidade que temos com o setor e com o mercado”, ponderou o ministro, após participar do lançamento da campanha pelo crescimento da  energia livre, lançada pela Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia na sede da Confederação Nacional da Indústria.

Braga considerou natural a insatisfação da população brasileira com os preços atuais da energia, apontada por pesquisa elaborada pelo Ibope para a Abraceel. O ministro lembrou que o governo fez uma reestruturação tarifária, e destacou que “a pior tarifa de energia elétrica é não ter energia”, como aconteceu no racionamento de 2001. Ele disse ter vivido essa experiência em 1997, quando o estado do Amazonas passou por um ano de racionamento. “Perdemos empregos em todas as direções, seja no polo industrial, seja nos pequenos negócios. Portanto, energia mais cara é aquela que não existe”, disse. Ele acrescentou que apesar das dificuldades de licenciamento de grandes empreendimentos, o setor elétrico brasileiro tem garantido o fornecimento de energia para o país.