Oferta de energia no ACL pode aumentar em 967 MW médios a partir de 2017

Cenário considera que licitação de usinas antigas será um sucesso e que agentes destinarão 30% da garantia física para o mercado livre

A oferta de energia no mercado livre pode aumentar em 967 MW médios a partir de 2017. O cenário considera que a licitação de 29 hidrelétricas, cujos contratos venceram, tenha sucesso e que os agentes vencedores destinarão 30% da garantia física para o mercado livre a partir daquele ano, como permite a Medida Provisória 688. No total, 6.064 MW de capacidade instalada será licitada, o que representa 3.223 MW médios. Pela regra, essa garantia física precisa ser alocada no mercado regulado em 2016, mas a partir de 2017 os agentes detentores das outorgas poderão comercializar 30% dessa energia livremente.

"Estamos discutindo uma grande vitória para o mercado livre. Até então, o mercado livre estava fadado a morrer por falta de oferta de energia, já que toda energia nova era licitada somente no mercado regulado", comemorou um dos participantes do 3º Encontro Nacional de Consumidores Livres, evento realizado nesta terça-feira, 29 de setembro, em São Paulo. "Isso foi uma grande vitória e precisa ser comemorada", completou o agente.

Para a Thymos Energia, a MP 688 traz avanços para o futuro do ACL ao reconhecer a necessidade de destinar parte da energia velha para o mercado livre. Com a nova oferta de energia, espera-se um aumento na competitividade do ACL nos próximos anos. Pelos cálculos da consultoria, considerando como exemplos a energia das UHEs Jupiá e Ilha Solteira, a expectativa é que essa energia chegue ao ACL com preço entre R$ 114,00 e R$ 116,00 por MWh.

Para João Carlos Mello, presidente da Thymos, o prazo é maior desafio para o sucesso desse leilão. Para ele, o tempo é muito curto para que os agentes consigam reunir os recursos necessários para pagar o prêmio pela outorga. Pela regra do leilão, vence quem oferecer o menor valor pela energia. Além disso, a assinatura do novo contrato de concessão se dará mediante ao pagamento de bonificação pela outorga, que deverá ser efetuado em duas parcelas: uma à vista na assinatura do contrato e outra depois de 180 dias. O governo espera arrecadar R$ 17 bilhões com a licitação, dos quais R$ 13,8 bilhões só com as usinas de Jupiá  (1.551 MW) e Ilha Solteira (3.444 MW). O leilão está programado para 6 de novembro.