Copel tem interesse em adquirir participação da Petrobras na UTE Araucária

Tema será tratado em reunião entre o CEO da estatal paranaense e a diretora de Refino e Gás Natural da petroleira

A Copel tem interesse em assumir a participação de 20% detida pela Petrobras na usina termelétrica Araucária (484 MW – PR), informou nesta sexta-feira, 16 de agosto, o CEO da estatal paranaense de energia, Daniel Slaviero, durante teleconferência realizada com analistas de mercado para apresentar os resultados da empresa no segundo trimestre do ano. O assunto, segundo ele, será discutido na semana que vem em uma reunião na sede da petroleira, no Rio de Janeiro, com a diretora executiva de Refino e Gás Natural da Petrobras, Anelise Lara, juntamente com outros executivos das duas empresas.

As conversas, disse Slaviero, ocorrerão dentro da intenção manifestada pela Petrobras esta semana, por meio de declaração da própria diretora, de a gigante petrolífera se desfazer de 15 das 26 usinas termelétricas que compõem o seu parque de geração de eletricidade – segundo Anelise, o processo de venda dos empreendimentos ocorreria em 2020 dentro do programa de desinvestimentos tocado pela companhia desde 2016, cujo objetivo é concentrar o core business nas atividades de exploração e produção de petróleo e gás natural em operações com maior rentabilidade, em especial nas áreas do pré-sal.

“Queremos entender melhor o timing e a estratégia que a Petrobras vai adotar nessas negociações das térmicas. Se avaliarmos que as condições a serem apresentadas são adequadas para a Copel, considerando o plano de investimentos que foi traçado para os próximos anos, nós pretendemos exercer (o direito de aquisição da participação minoritária da Petrobras) sim”, afirmou o executivo na teleconferência. Ele ressaltou que, neste momento, a prioridade por parte dos acionistas no projeto é encontrar soluções de mercado que permitam à usina operar plenamente, maximizando o valor do ativo.

A termelétrica Araucária é controlada diretamente por uma Sociedade de Propósito Específico chamada Usina Elétrica a Gás de Araucária (UEGA), cuja acionista principal, com 60%, é a Copel GeT – braço de geração e transmissão da estatal. A holding Copel e a Petrobras possuem 20% de participação cada. Desde 1º de fevereiro de 2014 a operação da usina é de responsabilidade da UEGA. Com garantia física de 267 MWmédios, a térmica não possui contrato de comercialização de energia e opera na modalidade “merchant“, em situações específicas, quando o Custo Marginal da Operação supera o Custo Variável Unitário.

Um dos pontos cruciais para que a Copel faça oferta pela aquisição da fatia da Petrobras em Araucária é a adequação do valor de um possível negócio ao seu plano de investimentos, que passa por revisão. A expectativa da empresa é encerrar 2019 com R$ 2,092 bilhões investidos, uma queda de 18,6% frente aos R$ 2,570 bilhões realizados no ano passado. Da previsão de investimentos para este ano, R$ 247 milhões, ou 19% do total, estão reservados a novos empreendimentos. No primeiro semestre deste ano, a Copel investiu um montante de R$ 974 milhões, 30% a menos que no mesmo período do ano passado.

Eficiência na gestão de projetos

Entre as premissas adotadas pela companhia na destinação dos recursos para investimentos estão disciplina na alocação de capital, qualidade e eficiência, redução de custos e conclusão dos projetos que estão em fase de construção. Um deles é a PCH Bela Vista (29 MW – PR), cujo orçamento total é de aproximadamente R$ 200 milhões. Outro projeto em carteira que receberá recursos para conclusão é o sistema de transmissão associação à hidrelétrica de Baixo Iguaçu, composto por composto por 230 km de linhas e 900 MVA de potência de subestações. As instalações atenderão aos estados do Paraná e de Santa Catarina.

A relicitação da outorga da hidrelétrica Foz do Areira, com 1.676 MW de capacidade, é apontada por Slaviero como “prioridade absoluta” para a companhia no cenário de médio prazo. Ativo considerado estratégico, a usina é a maior de todo o parque próprio de geração da empresa, e terá sua concessão vencida em setembro de 2023. A manutenção do empreendimento no portfólio da companhia pode exigir investimentos de pelo menos R$ 3 bilhões. A busca por maior eficiência na gestão de projetos é crucial para o cumprimento das metas. “Queremos ser uma estatal com mindset privado”, diz o executivo.