Conclusão de Alto Sertão III será pilar para plano de recuperação da Renova

Cemig indica que ativo pode ser usado para obtenção de recursos para pagamento dos credores seja por meio de sua exploração comercial ou da venda desse ativo e diz existir interessados em financiar as obras

O plano de recuperação judicial da Renova deverá ficar pronto em cerca de um mês. Esse é o prazo restante para que a atual administração da geradora finalize a proposta que será avaliada pelos credores da companhia que pediu recuperação judicial. A ideia é de que o plano seja concentrado na retomada das obras e na conclusão do parque eólico Alto Sertão III que está paralisado. O ativo seria utilizado para obter recursos para pagamento aos credores, seja por meio de sua operação com a geração de energia ou por sua venda.
O parque que deve ser alvo desse plano de recuperação está com as obras paralisadas desde 2016 quando alcançou 86% de avanço em seu cronograma. Por estar com o pedido de recuperação judicial os ativos são protegidos por lei. A aposta da Cemig, controladora da Renova e uma das credoras nesse processo, é de que ao ter o plano aprovado consiga obter o funding suficiente para que possa terminar as obras.
O diretor da Cemigpar, Daniel Faria, disse em entrevista a jornalistas que o modelo a ser proposto aos credores durante a assembleia geral nesse processo ainda está em desenvolvimento pelas empresa contratada e os atuais administradores da geradora, admitidos visando esse processo. “Existe a possibilidade de captação e assim permitir o término do parque com a meta de obter recursos seja pela venda do ativo ou sua exploração para pagar aos credores”, explicou.
Sob a mesa de opções está em avaliação a fonte de recursos que pode financiar esses valores. O executivo não revelou qual é a necessidade financeira da empresa para terminar o ativo, mas que há vias possíveis por meio de empréstimos de investidores institucionais que poderiam ser convertidos os créditos de forma parcial ou total em ações da empresa. Uma dessas poderia ser a própria Cemig que possui créditos junto à Renova e que poderia reverte esses valores em capital social para ajudar na desalavancagem da Renova. Outra opção seria o alongamento da dívida. “Esperamos concluir esse plano o mais rápido possível e depois do plano aprovado conseguiremos retomar as obras”, comentou ele. “Existem fundos e investidores interessados em prover esse funding e dar sequência à obra seja com participação na sociedade ou financiadores do parque”, acrescentou.
Enquanto isso, continuou Faria, os acionistas precisam manter a atividade da geradora controlada pela Cemig até a aprovação do plano que será analisado pelos credores ainda sem data definida. Ele comentou que o prazo legal para a apresentação desse plano é em meados de dezembro e que a companhia irá honrar esse compromisso. Por isso deve ocorrer algum aporte de capital na empresa até que essa etapa seja vencida. “O compromisso é com a  manutenção de itens básicos da atividade da Renova até termos o plano aprovado. Essa ação pode ocorrer com aporte dos acionistas ou ainda por meio de mecanismos como empréstimos para mantermos a empresa até a aprovação do plano”, afirmou ele.
A Cemig detém diretamente, por meio da Cemig GT, 45,83% do capital do bloco de controle da Renova, a sua controlada Light Energia, tinha uma participação de 21,72% nesse mesmo bloco. Recentemente a holding fluminense anunciou a venda de sua parcela por R$ 1, mas ainda consta a sua participação no site da geradora em recuperação judicial. No final da semana passada a estatal mineira decidiu não aumentar a sua fatia na Renova ao não exercer seu direito de vender suas ações nas mesmas condições da Light. Essa decisão, disse Faria, foi tomada depois de uma análise de aspectos jurídicos e econômico-financeiros, uma vez que a empresa por ser controlada pelo governo de Minas Gerais está sujeita a legislação específica sobre o tema, até porque a companhia é credora e acionista da organização em dificuldades.
Faria disse que a decisão de não seguir a Light e não aumentar a sua participação foi uma decisão complexa e que foi “muito bem avaliada tecnicamente, pela Cemig. Foram ponderados os riscos na transação”. E completou dizendo que o mais importante agora é focar nesse plano de recuperação que seja aceitável para todos visando a continuidade das operações da Renova.